Vasectomia é mais simples que laparoscopia e não interfere na libido.

Confira o passo a passo do procedimento e quais os cuidados após a cirurgia.

A vasectomia é um procedimento cirúrgico que impede o homem de ter filhos. A cirurgia interrompe a passagem dos espermatozoides produzidos pelos testículos e conduzidos para os canais que desembocam na uretra, impedindo definitivamente a gravidez. A cirurgia é indicada para planejamento familiar de casais com prole constituída, uma vez que a cirurgia é realizada com intenção de evitar ter filhos definitivamente. Aqui no Brasil, segundo o artigo 10 da lei 9.263 da Constituição Federal, a esterilização masculina ou feminina somente é permitida em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico ou, ainda, em situações de risco à vida ou à saúde da mãe ou do futuro concepto.

Uma tarefa importante durante a orientação é ajudar o homem a refletir cuidadosamente sobre a sua decisão, considerando todas as consequências. Por exemplo, os provedores de planejamento familiar devem ajudá-lo a pensar sobre a possibilidade de mudanças na sua vida e sobre como essas mudanças poderão afetar a sua decisão.

O procedimento é tecnicamente simples e consiste na retirada de um segmento de cada canal deferente, que é por onde passa o espermatozóide depois de produzido por cada testículo. Realizado geralmente por meio de uma pequena incisão - menos de 1,0cm de cada lado da bolsa testicular - utilizando anestesia local e sem necessidade de internação, o paciente faz a cirurgia e vai para casa no mesmo dia. Ele é mais simples que a laqueadura, pois nesta as tubas estão dentro do abdômen e o acesso até elas é mais difícil, necessitando de anestesia e internação. Apesar de ser um procedimento simples, ele não está isento de riscos e como toda cirurgia pode ocorrer infecção do local, hematoma e dor.

A cirurgia de vasectomia não tem interferência na produção de hormônios e não leva a qualquer alteração da libido (desejo sexual), ou do peso. A ejaculação também não é modificada, pois o volume dos espermatozoides corresponde a menos de 10% do sêmen. Nenhum dos nervos que comandam a ereção é afetado pela cirurgia, de modo que não há risco de impotência.

Após a cirurgia, o casal pode voltar a ter relações sexuais depois de sete dias, mas deve manter o uso de preservativos ou a parceira manter o uso de anticoncepcional até cerca de 30 a 90 dias, que é o tempo para que todos os espermatozóides que já passaram pelo local interrompido sejam eliminados. Decorrido este período, o homem deve realizar um espermograma, para certificar-se que não há mais espermatozóides no sêmen, e só com esta confirmação poderá ter relações sem necessidade de outros métodos contraceptivos.

É importante lembrar que apesar de ser um meio altamente eficaz, ele tem uma chance de falha, sendo a gravidez após a vasectomia a complicação mais temida pelos profissionais que realizam o procedimento. Os relatos na literatura não são comuns, embora diferentes autores relacionem esta ocorrência a uma incidência de 0,36% a 1,8%, podendo ocorrer em qualquer momento após a vasectomia, embora seja mais freqüente nos dois primeiros anos. Por isso é importante que o paciente mantenha acompanhamento com o urologista e realize um espermograma anualmente nos primeiros três anos após a cirurgia.

A vasectomia é reversível, porém, a taxa de sucesso da cirurgia de reversão pode variar muito, dependendo do caso. Quanto maior o tempo desde que foi feita a vasectomia, mais difícil se torna a reversão. Outro ponto: a cirurgia de reversão é muito mais delicada e deve ser realizada com internação hospitalar, sob anestesia geral ou raqui, com a utilização de material de microcirurgia, incluindo microscópio. Diante de toda a complexidade da reversão da vasectomia e da chance de insucesso na reversão, deve-se sempre fazer a vasectomia como método definitivo e nunca pensar que pode ser revertida.

Referências:

Jornal Brasileiro de Medicina, 94(6):36-37, jun. 2008.
British Journal of Urology, 76:373-375,1995
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas../197_vasectomia.html
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9263.htm

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